
Diretores
Vitor: Mosaico, um sem estilo estiloso demodê
Flávio: Um errante, ultra-romântico, inconstante, e outros adjetivos que nego servir a definição de minha essência, pois nada sou além daquilo que escrevo.
Descrição: Um dicionário nada mais é do que um grande grupo de teatro - cada ator/palavra tem seus talentos e especificidades, mas pode, e, por exercício, deve, exercer diversos papéis. De acordo com o diretor e o roteiro, às vezes até superam em representações não habituais.
O objetivo desse blog é tão somente o exercício da direção. Condenados à liberdade, cada um dos aspirantes a diretor tentará da melhor forma possível desenvolver suas idéias por meio da escrita.
Todos aqui são jovens aprendizes de diretores que querem se aperfeiçoar na arte da escrita. Portanto, críticas serão sempre bem vindas (mas um "tá muito legal o blog, beijos/abraço" também é um bom incentivo)!
Não entendeu nada...? Ok, metáforas a parte, o nosso objetivo é escrever sobre qualquer tema em qualquer formato, discutir idéias, e sonhar um pouquinho, porque ninguém é de ferro, né?
Como se diz no teatro: - Merde para nós...
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O teatro das palavras
21/11/2009
Banalidades e Onirismo
Às vezes acho que a vida passa de pressa demais e escrevemos muito pouco. Não, não é que eu queira uma possível eternalização através da arte de escrever. Que diferença faz se os meus poemas vão ser lidos após a minha morte? (Personagem de Woody Allen)
Em suma maioria, apenas escrevemos o que outros nos ditam ou nos fazem copiar, que geralmente é cópia de um terceiro. A criatividade fica jogada ao canto, feito cesta de lixo numa sala quadrada estudantil.
Sinto a necessidade de idéias novas. Acho que todos sentem, mas nem todos falam ou tentam tê-las. Escrever algo diferente é uma tentativa. Muitas são frustradas e não nos levam a lugar nenhum, mas, pelo menos, serve para nos conhecermos mais.
Como diria um personagem de Woody Allen, sinto todos os anseios e desejos de um artista, mas infelizmente não tenho o menor talento para artes. Resta-me aceitar? Não, não é essa a minha intenção. O meu desejo real é me libertar de tudo que me oprime, inclusive das formas de expressões limitantes atuais. Se não sei escrever, desenhar, pintar ou fazer sei lá o que! Eu invento uma nova forma de expressão.
Ultimamente eu sonho em criar um tipo de arte livre que não seja necessário ter nenhuma habilidade técnica. Não sei ao certo como chegar a isso, mas eu gostaria que fosse tudo muito colorido, se eu pudesse usar luz, quem sabe? Seria interessante expressar-se durante o sono, se fosse possível canalizar os pensamentos que temos e formar uma obra de arte, mesmo que ela seja apenas de luz ou da matéria etérea a qual é feita os pensamentos.
Sim! Espero o dia em que tenhamos uma grande arte, onde a qualidade de nossas obras sejam medidas pelo tamanho de nossos sonhos...
Escrito por Flávio em 12:33.
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16/11/2009
[de volta ao planeta terra] Primogênitos Desgraçados: a glorificação do conjunto vazioAssisti, cerca de um mês atrás, pela segunda vez na vida um filme de Quentin Tarantino. O primeiro foi Pulp Fiction, um filme até divertido, mas longe da genialidade que a ele é atribuida. A grande inovação, a inversão do roteiro, qualquer pessoa que tenha visto quase qualquer história baseada no Nelson Rodrigues, por exemplo, já está mais do que acostumado.Não vi Kill Bill, e depois de Bastardos Inglórios ficou definido que não verei. Foi um dos piores filmes que já vi no cinema nos últimos tempos: os personagens não têm nenhuma profundidade psicológica, as atuações caricatas, o roteiro é raso raso raso. Por exemplo, porque o Cel. não matou a menina no cap. 1? É só para ter o filme? Tem muito ponto sem nó... não serve nem como ação/suspense clássico (tipo "Os Infliltrados") O que salva? Ah! As cenas muitíssimo bem feitas de escalpelação, explosões, tiros. E não tenho nenhum problema com cenas de crueldade gratuita. Em Laranja Mecânica, por exemplo, é tão ou mais cruel quanto, mas tudo faz sentido dentro da mensagem que o filme quer passar. Tem um propósito. Agora cheguei ao ponto que mais me incomoda. A arte tem que ter um significado desejado, aceito até que seja de contestação do próprio conceito de arte como em Duchamps. O é a glorificação do conjunto vazio, como se pegar tintas e atirá-las na tela fosse um espasmo de genialidade. Já disse um publicitário sobre pneus que "potência é nada sem controle". Pode-se tentar salvar o filme falando da questão do Holocausto e da Segunda Guerra Mundial. Mas quantos filmes já foram feitos sobre os coitados dos judeus? Nem eles já devem aguentar mais. Quantos filmes já foram feitos sobre "a vingança contra esses caras que mataram minha família enquanto eu estava na minha"?. Sem comentários. E ainda tentam me convencer que é um tratado sobre a vingança. O filme é uma fórmula pronta, numa conjugação de temas batidos. E o que sobra? Violência. Então não fica devendo nada para pornô, é só trocar a violência pelo sexo. Eu chamo de porno-porrada. Se é para não fazer sentido, ou ter roteiro raso, eu particularmente prefiro o segundo estilo. É uma pena que o Tarantino seja um dos poucos diretores hoje com nome para levar o público para o cinema por si mesmo. Tenho minhas dúvidas se alguém realmente se interessa pelo filme, ou pelo prazer sádico de ver cenas de violência explícita e gratuita em público. Somos primogênitos desgraçados, refletidos na tela do cinema, aplaudindo nossa própria desgraça. Pois narciso acha belo o que lhe é espelho. Bom, acho que vou voltar para a Lua. "De que me vale ser filho da santa? Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta"
Escrito por Vitor em 21:52.
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26/10/2009
O Mártir da LiberdadeEle queria a Liberdade, a mais pura e cândida Liberdade. Mas todas as suas tentativas esbarravam no Outro. À todas as Suas ações, o Outro inevitavelmente reagia. Talvez não seguindo a Terceira Lei de Newton, talvez não seguindo a distribuição de probabilidades de Gauss, mas reagia. Por conseqüência, Sua Liberdade não era plena, pois sempre teria que se defrontar com a reação do Outro. Foi então que percebeu a sutil cilada: a inexistência de Liberdade era condição intrínseca à vida. Se agisse no momento zero, o Outro reagiria no momento um, e sofreria as conseqüências desta reação no momento dois. Concluiu, em sua lógica inabalável, que a única forma de ser livre era não viver, pois não estaria mais presente quando o Outro reagisse à notícia de seu derradeiro ato de Liberdade. O Outro chorou, passou algumas noites em claro; mas Ele não estava mais lá para ver, ouvir, sentir... eliminara o momento dois.
E a Vida? Continua. Sem Ele.
Marcadores: Vitor
Escrito por Vitor em 01:08.
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20/09/2009
Porto Seguro (outros versos)
Num mar infausto Um barco, um claustro Serei teu mastro Maestro e solista
Naquela pista a Duzentos por hora Vendo teus olhos e guio, vambora
Por traz de tudo Eu que conspiro Teus passos são o ar que respiro
Sou teu vampiro E também caubói Me fantasio Até de herói
Nem um segundo Te deixo em paz Sou vagabundo E também capataz
E se achar que está sozinha todos os sons vão lhe lembrar
Sussurros meus ao pé do teu ouvido...
(E quando tudo ficar escuro Eu posso ser o seu porto seguro)
---------------------------------------- Ouça a versão cantada em: Di-vagar Marcadores: Poesia, Vitor
Escrito por Vitor em 11:51.
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13/09/2009
Humano, demasiado humano? ou Sobre a morte do super-homem
Prólogo: Para teorias racistas do século XX, XIX, XVIII ou de qualquer tempo, cabe apenas o desprezo. Mas para o homem, o que cabe?
É preciso não se envergonhar e mais uma vez mergulhar fundo no homem para compreender essa nova aparição. O século XXI nos reserva um futuro glorioso (integrado?) em que a ciência vem se tornando o discurso da verdade apesar de sua historicidade e da falta de veracidade na própria história. Um paradoxo? Sim, mas não o pior deles. Dizia Nietzsche que com a História é preciso saber lembrar para se ter o que superar e saber esquecer para não ficar preso eternamente aos mesmos paradigmas. Como pode então a ciência da causa e efeito estar por criar o super-homem? Sim, as limitações dia a dia se transformam em pó frente o ímpeto da revolução científico-tecnológica, vide as curas para as doenças, a fertilização in vitro, as células-tronco... Por aí vem o super-homem? Então, vem também o segundo paradoxo: O homem está morrendo e evoluindo através de uma ciência que se atém ao passado. Algo mais pós-moderno? Aliás, algo mais absurdo do que algo que ao tentar justificar é já negá-lo? Porém, o que mais assusta é a pergunta: “Que homem é esse que está morrendo?” Se tomarmos como base a velha definição de que o homem é sempre aquele que falha, aquele que morre, aquele que sofre, o que é por definição imperfeito. Talvez facilite a compreensão, mas há uma segunda pergunta: O homem se tornou completamente humano? Nos elevamos totalmente do nosso estado animalesco anterior? Completamos a sublimação? Ou, a falha na sublimação confirma realmente a nossa essência humana? Algo mais pós-moderno e irônico do que superar algo que nem fomos capazes de sermos completamente? Como então salvar o super-homem do pós-modernismo? Tenho a impressão que se o super-homem vier no século XXI, ele será relativizado em pleno vôo, e ao tentar confirmar sua existência provaremos por A+B a sua não-existência. Perceberemos então, que falta o homem. E, assim para o Übermensch restará a involução para o homem. O que seja talvez o que a humanidade tanto necessita.
Prólogo: Que morra o super-homem e nasça o homem antes. Marcadores: Flávio
Escrito por Flávio em 22:19.
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