
Diretores
Vitor: Mosaico, um sem estilo estiloso demodê
Flávio: Um errante, ultra-romântico, inconstante, e outros adjetivos que nego servir a definição de minha essência, pois nada sou além daquilo que escrevo.
Descrição: Um dicionário nada mais é do que um grande grupo de teatro - cada ator/palavra tem seus talentos e especificidades, mas pode, e, por exercício, deve, exercer diversos papéis. De acordo com o diretor e o roteiro, às vezes até superam em representações não habituais.
O objetivo desse blog é tão somente o exercício da direção. Condenados à liberdade, cada um dos aspirantes a diretor tentará da melhor forma possível desenvolver suas idéias por meio da escrita.
Todos aqui são jovens aprendizes de diretores que querem se aperfeiçoar na arte da escrita. Portanto, críticas serão sempre bem vindas (mas um "tá muito legal o blog, beijos/abraço" também é um bom incentivo)!
Não entendeu nada...? Ok, metáforas a parte, o nosso objetivo é escrever sobre qualquer tema em qualquer formato, discutir idéias, e sonhar um pouquinho, porque ninguém é de ferro, né?
Como se diz no teatro: - Merde para nós...
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Demasiado humano
Sobre o leste e o oeste
Comer, comer e dormir
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O teatro das palavras
26/10/2009
O Mártir da LiberdadeEle queria a Liberdade, a mais pura e cândida Liberdade. Mas todas as suas tentativas esbarravam no Outro. À todas as Suas ações, o Outro inevitavelmente reagia. Talvez não seguindo a Terceira Lei de Newton, talvez não seguindo a distribuição de probabilidades de Gauss, mas reagia. Por conseqüência, Sua Liberdade não era plena, pois sempre teria que se defrontar com a reação do Outro. Foi então que percebeu a sutil cilada: a inexistência de Liberdade era condição intrínseca à vida. Se agisse no momento zero, o Outro reagiria no momento um, e sofreria as conseqüências desta reação no momento dois. Concluiu, em sua lógica inabalável, que a única forma de ser livre era não viver, pois não estaria mais presente quando o Outro reagisse à notícia de seu derradeiro ato de Liberdade. O Outro chorou, passou algumas noites em claro; mas Ele não estava mais lá para ver, ouvir, sentir... eliminara o momento dois.
E a Vida? Continua. Sem Ele.
Marcadores: Vitor
Escrito por Vitor em 01:08.
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20/09/2009
Porto Seguro (outros versos)
Num mar infausto Um barco, um claustro Serei teu mastro Maestro e solista
Naquela pista a Duzentos por hora Vendo teus olhos e guio, vambora
Por traz de tudo Eu que conspiro Teus passos são o ar que respiro
Sou teu vampiro E também caubói Me fantasio Até de herói
Nem um segundo Te deixo em paz Sou vagabundo E também capataz
E se achar que está sozinha todos os sons vão lhe lembrar
Sussurros meus ao pé do teu ouvido...
(E quando tudo ficar escuro Eu posso ser o seu porto seguro)
---------------------------------------- Ouça a versão cantada em: Di-vagar Marcadores: Poesia, Vitor
Escrito por Vitor em 11:51.
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13/09/2009
Humano, demasiado humano? ou Sobre a morte do super-homem
Prólogo: Para teorias racistas do século XX, XIX, XVIII ou de qualquer tempo, cabe apenas o desprezo. Mas para o homem, o que cabe?
É preciso não se envergonhar e mais uma vez mergulhar fundo no homem para compreender essa nova aparição. O século XXI nos reserva um futuro glorioso (integrado?) em que a ciência vem se tornando o discurso da verdade apesar de sua historicidade e da falta de veracidade na própria história. Um paradoxo? Sim, mas não o pior deles. Dizia Nietzsche que com a História é preciso saber lembrar para se ter o que superar e saber esquecer para não ficar preso eternamente aos mesmos paradigmas. Como pode então a ciência da causa e efeito estar por criar o super-homem? Sim, as limitações dia a dia se transformam em pó frente o ímpeto da revolução científico-tecnológica, vide as curas para as doenças, a fertilização in vitro, as células-tronco... Por aí vem o super-homem? Então, vem também o segundo paradoxo: O homem está morrendo e evoluindo através de uma ciência que se atém ao passado. Algo mais pós-moderno? Aliás, algo mais absurdo do que algo que ao tentar justificar é já negá-lo? Porém, o que mais assusta é a pergunta: “Que homem é esse que está morrendo?” Se tomarmos como base a velha definição de que o homem é sempre aquele que falha, aquele que morre, aquele que sofre, o que é por definição imperfeito. Talvez facilite a compreensão, mas há uma segunda pergunta: O homem se tornou completamente humano? Nos elevamos totalmente do nosso estado animalesco anterior? Completamos a sublimação? Ou, a falha na sublimação confirma realmente a nossa essência humana? Algo mais pós-moderno e irônico do que superar algo que nem fomos capazes de sermos completamente? Como então salvar o super-homem do pós-modernismo? Tenho a impressão que se o super-homem vier no século XXI, ele será relativizado em pleno vôo, e ao tentar confirmar sua existência provaremos por A+B a sua não-existência. Perceberemos então, que falta o homem. E, assim para o Übermensch restará a involução para o homem. O que seja talvez o que a humanidade tanto necessita.
Prólogo: Que morra o super-homem e nasça o homem antes. Marcadores: Flávio
Escrito por Flávio em 22:19.
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05/09/2009
Sobre o oeste e o leste
Era uma vez dois amigos de longa data que conversavam no mensageiro instantâneo sobre as impressões dela sobre a Europa. Ela estava morando na França havia cerca de 5 meses, viajara por alguns países europeus, tanto do oeste quanto do leste. Segue um fragmento do que conversaram:
(...) Ela: - O pessoal do Leste Europeu é muito mais caloroso do que o povo aqui da França e os do oeste em geral; tanto meninas quanto meninos. Ele: - Engraçado isso, não? A imagem do regime socialista é de que as pessoas são frias que o mundo é frio, pois tudo é igual. Mas por outro lado você tem a impressão de que essas pessoas são mais calorosas e simpáticas que os europeus. Será que ao menos os europeus do Oeste são simpáticos entre eles mesmos? Ela: - Mais do que com os estrangeiros, com certeza. Mas é o jeito deles mesmo, são frios. Em minha opinião de futura socióloga, essa “calorosidade” dos europeus do Leste se deve justamente, numa contraposição, à frieza do regime socialista. Ele: - Talvez não seja exatamente uma contraposição, porque num regime comunista as pessoas talvez sejam mais solidárias; em oposição ao regime capitalista que preza pela competição, por que cada um seja independente do outro. Ela: - Não sei se nossas posições são complementares ou opostas. Eu disse que eles são mais calorosos em oposição à frieza e dureza do regime; você disse que eles são calorosos por causa de uma suposta maior solidariedade do regime comunista. Se tomarmos o regime comunista de dois pontos de vista ou ângulos diferentes, nossas visões se complementam; se tomamos o regime comunista globalmente, somos opostos necessariamente. Ele: - Eu acho que você tem sim um ponto. Mas deixe-me ir adiante. No comunismo, as formas de expressão são sempre tidas como frias, sem sal nem açúcar. Como se a arte tivesse morrido. Isso se expressa na arquitetura (acabo de ler a descrição muito boa de um amigo que está em Hamburgo e foi visitar Berlim, mostrando os contrastes da cidade dividida - parece que o muro não caiu, ou ainda está por cair). Mas acho que a ausência de alma na arte é uma conseqüência de se viver num regime em que há muito mais solidariedade. É como a arte clichê do casal apaixonado, que normalmente é ruim para quem esta de fora, se comparada com a arte produzida em momentos de tristeza, de separação, de dúvida, que aos olhos externos parece carregada da alma do artista. Como vivemos num mundo competitivo e estamos em alguma medida sempre sozinhos, competindo, canalizamos nossa alma não para a relação com os outros, mas para o papel e para a arte de modo geral. Falo de uma reificação da expressão dos sentimentos. Como não conseguimos nos expressar na relação com os outros, canalizamos tudo para a os objetos, para as coisas. Ela: - Concordo com a parte em que você fala sobre o capitalismo, mas acho que para explicá-la você usou uma visão idealizada de como foi o regime comunista, com a qual eu não concordo. - É verdade. Então acho que chegamos, de alguma maneira, num acordo? - Jamais! (risos)
(...)
Marcadores: Vitor
Escrito por Vitor em 18:23.
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17/08/2009
Comer, comer e dormir!
Há uma grande teoria que diz que essas são as três melhores coisas na vida. Não é verdade, além de notar isso venho a todos revelar as bases estúpidas, machistas e homossexuais que se funda essa teoria.
Ponto frágil fundamental – A generalização. Como todos nós sabemos TODA GENERALIZAÇÃO É UM ERRO! Com exceção dessa, pois ela é a exceção que comprova a regra! Entendeu?
Comer - O primeiro comer refere-se à alimentos. Óbvio que é mentira, nem tudo é bom de se comer. Você já provou buxada de bode? Olho de cabra? A menos que você seja baiano, participante do “No Limite” ou meu pai, você não comeria isso nem morto. Há também uma segunda questão, a ciência diz que comer pouco prolonga a vida, então caímos num paradoxo, quanto mais você come, menos irá comer? (Diga isso para um Queniano!) Obviamente isso não pode ser considerado uma das melhores coisas do mundo!
Comer (sexo) – Outra generalização. Você já tentou comer um homem. Se sim, por favor não se entregue aqui, mesmo que você seja militar e esteja subindo pelas paredes... Mas, obviamente sexo entre dois homens é proibido por Jesus Cristo, por Deus e pelo Bispo Edir Macedo. Logo, não pode ser uma coisa boa, além de ser nojento, bunda cabeluda...argh...No mínimo quem fez essa teoria era pederasta.
Dormir – Puta merda, dormir é bom demais! Mas reparem bem...Dormir é um dos estados da vida mais próximos da morte. Sabe-se lá o que a alma faz enquanto você está dormindo, alguns dizem que ela vai visitar parentes mortos...putz, isso é deprimente, dormir é bom, mas não é viver e tenho dito!
Ha!
Achavam que eu não ia propor nada para o lugar, né? Achavam que eu ia ser escroto o bastante de apenas destruir a teoria dos outros sem construir nada? Sim, eu tenho uma proposta. As três melhores coisas da vida são:
Chocolate – quer coisa melhor? Dizem que faz tão bem quanto sexo, você não tem que conversar e não limpa a sua carteira.
Mulher – Porque mulher é muito bom, mesmo quando é caro levar ela para cama.
Agora a terceira (e melhor) coisa foi a mais difícil. Eu tive que passar vários dias filosofando na ECO para chegar a tal conclusão. Primeiro achei que mulher fosse tão bom que mereceria ser a segunda e a terceira e talvez até a quarta! Porém, depois notei que havia algo ainda melhor: Mulher com Chocolate! E sim, essa seria a terceira (e melhor) coisa se eu não tivesse notado uma outra coisa: Não há nada melhor que amigos! Então a terceira melhor coisa da vida é a amizade!
Achou fofo, emocional e nada condizente com esse texto a minha conclusão? Eu tenho bases empíricas: Imagine a pior situação do mundo – Você meu amigo que está com a sua mulher há anos (seja casado, noivo ou enrolado) e você é fiel, carinhoso e totalmente dedicado a ela. Um dia você descobre que ela já deu para todos os caras que você conhece e não gosta (obviamente, quem é seu amigo não comeria). Isso, mesmo, ela já deu para todos os caras que te sacaniaram na vida, ou seja, eles te sacaniaram duas, três, quatro, cinco vezes! Pense, quem são as únicas pessoas capazes de curar essa dor-de-corno que você tem? Óbvio: As amigas gostosas dela!
UM BRINDE À AMIZADE! Marcadores: Flávio
Escrito por Flávio em 23:02.
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